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Eólica avança no mundo com salto recorde, mas Brasil entra em compasso de espera
Capacidade global cresce 40% em meio à crise energética, enquanto mercado brasileiro desacelera e aposta em nova onda puxada por data centers e indústria a partir de 2027.
Em um cenário global marcado por instabilidade energética e pressões geopolíticas, a energia eólica consolidou sua posição como um dos principais vetores da transição para fontes renováveis. O setor registrou um crescimento expressivo em 2025, atingindo um novo patamar histórico de expansão, impulsionado sobretudo por economias asiáticas.
O avanço ocorre em meio a um ambiente de incertezas no mercado de energia tradicional, onde tensões internacionais e restrições logísticas elevaram custos e reforçaram a busca por alternativas menos dependentes de combustíveis fósseis. Nesse contexto, a energia dos ventos ganha protagonismo como solução estratégica para diversificação e segurança energética..jpeg?=3119833-2)
Dados do Global Wind Report 2026 indicam que foram adicionados 165 GW de capacidade em 57 países ao longo do último ano, elevando o total global para 1.299 GW. A expansão foi liderada pela Ásia, responsável por cerca de 80% das novas instalações, com destaque para China e Índia, que ampliaram significativamente seus parques eólicos.
Apesar de manter posição de relevância no ranking global, o Brasil vive um momento de desaceleração. As adições de capacidade recuaram na comparação anual, refletindo um ambiente macroeconômico mais restritivo e menor demanda por novos projetos de geração. A América Latina, inclusive, foi a única região a registrar queda nas instalações no período.
A perspectiva, no entanto, não é de retração estrutural. Especialistas do setor avaliam que o país atravessa um ciclo de ajuste, com retomada prevista a partir de 2027. A expectativa é de que novos vetores de demanda, como a expansão de data centers e os compromissos de descarbonização industrial, reativem investimentos e reposicionem o Brasil na trajetória de crescimento.
No plano internacional, o relatório aponta que, embora o ritmo atual seja robusto, ainda é insuficiente para atender às metas climáticas da década. A indústria eólica precisaria acelerar sua expansão para contribuir de forma decisiva com os objetivos de neutralidade de carbono até 2030.
Para os próximos anos, a tendência é de maior diversificação geográfica, com mercados emergentes ganhando espaço e reduzindo a concentração histórica em poucos países. Ainda assim, o desafio de escalar a capacidade instalada permanece como um dos principais entraves para consolidar a transição energética em nível global.
Brasil soma cerca de 35 GW em mais de 1.100 parques eólicos, concentrados no Nordeste, mas enfrenta desaceleração após ciclo de forte expansão.
Atualmente, o Brasil possui cerca de 34 a 35 GW de capacidade instalada de energia eólica, distribuídos em mais de 1.100 usinas (parques eólicos) em operação, com predominância quase absoluta da geração onshore (em terra) . A geração está concentrada principalmente na região Nordeste, responsável por cerca de 80% dos parques, com destaque para estados como Rio Grande do Norte, Bahia, Ceará e Piauí, que lideram tanto em número de projetos quanto em potência instalada .
O Rio Grande do Norte, por exemplo, figura entre os maiores polos do país, com mais de 10 GW instalados, enquanto a Bahia se consolidou como um dos principais destinos de novos investimentos .
No total, a energia eólica já responde por uma parcela relevante da matriz elétrica nacional e mantém o Brasil entre os cinco maiores mercados do mundo em capacidade instalada, embora o ritmo recente de expansão tenha desacelerado após anos de forte crescimento.

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