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Data center de 100 MW injeta R$ 1,5 bilhão no PIB e expõe corrida bilionária por infraestrutura digital

Data center de 100 MW injeta R$ 1,5 bilhão no PIB e expõe corrida bilionária por infraestrutura digital

Estudo da FGV estima R$ 25 bilhões em investimentos para implantação de um único empreendimento e aponta potencial de mais de 230 mil empregos permanentes no Brasil até 2035.

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A expansão dos data centers pode abrir uma nova frente de crescimento para a economia brasileira nos próximos anos. Um único empreendimento com capacidade de 100 megawatts (MW) tem potencial para acrescentar R$ 1,5 bilhão ao Produto Interno Bruto (PIB) e gerar R$ 590 milhões em renda do trabalho, considerando os impactos diretos e indiretos sobre diferentes setores da economia.

Os números fazem parte do estudo “Potenciais Impactos Socioeconômicos da Consolidação do Brasil como Hub Internacional de Infraestrutura Digital na Era da Inteligência Artificial”, elaborado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e divulgado nesta terça-feira (7).

Segundo o levantamento, a implantação de um data center desse porte envolve investimentos estimados em R$ 25 bilhões. Desse total, R$ 5 bilhões são destinados à infraestrutura física do empreendimento e outros R$ 20 bilhões à aquisição de equipamentos computacionais, como servidores, GPUs e sistemas de armazenamento de dados.

O volume de recursos movimentado tem impacto relevante sobre o mercado de trabalho. A estimativa é de que a implantação de um único projeto gere cerca de 12,5 mil empregos diretos e indiretos ao longo de um período de 18 a 36 meses, envolvendo atividades como construção civil, engenharia, transporte, comércio e prestação de serviços.

Depois da entrada em operação, aproximadamente 15% desses postos de trabalho seriam mantidos de forma permanente. O estudo calcula ainda que, para cada R$ 1 milhão investido no setor de data centers, são gerados cerca de R$ 350 mil em renda do trabalho.

Desse montante, R$ 259 mil correspondem a salários diretos e outros R$ 91 mil a remunerações pagas por empresas fornecedoras. O impacto, segundo o levantamento, vai além dos profissionais de tecnologia e alcança trabalhadores da construção, logística, alimentação, comércio e diferentes segmentos de serviços.

Brasil pode receber até R$ 3,7 trilhões em investimentos

A dimensão do mercado potencial é ainda maior quando considerada a expansão da infraestrutura digital brasileira na próxima década. Em um dos cenários projetados pela FGV, a capacidade instalada de data centers no País poderia avançar dos atuais cerca de 1 GW para 13,7 GW até 2035.

Para adicionar os 12,7 GW previstos nesse cenário, seriam necessários investimentos entre US$ 431,8 bilhões e US$ 698,5 bilhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,3 trilhões a R$ 3,7 trilhões.

A expansão poderia sustentar mais de 230 mil empregos permanentes e transformar os data centers em um dos principais vetores de investimentos em infraestrutura no Brasil.

Elaborado a pedido da Scala Data Centers e da Norgás, o estudo destaca que a matriz elétrica predominantemente renovável, a disponibilidade de áreas, o tamanho do mercado consumidor e a posição geográfica colocam o Brasil em condições favoráveis para disputar investimentos globais em infraestrutura digital e inteligência artificial.

Energia e regulação ainda limitam avanço do setor

Apesar do potencial, a consolidação do Brasil como hub internacional de data centers depende da superação de obstáculos estruturais. Entre os principais desafios estão a necessidade de ampliar a oferta de capacidade computacional, fortalecer a cadeia de fornecedores, qualificar mão de obra e integrar investimentos em energia, conectividade, hardware e software.

O setor elétrico aparece como um dos pontos mais sensíveis dessa expansão. Embora a elevada participação das fontes renováveis represente uma vantagem competitiva para o País, a FGV avalia que será necessário coordenar a expansão da rede elétrica com o rápido crescimento da demanda dos grandes centros de processamento de dados.

A falta de previsibilidade no acesso ao sistema elétrico, a fragmentação regulatória e a instabilidade dos incentivos fiscais também são apontadas como fatores capazes de reduzir a atratividade dos investimentos.

Entre as propostas apresentadas estão a criação de políticas de incentivo à produção nacional de equipamentos, maior estabilidade jurídica para benefícios fiscais e o reconhecimento dos data centers como infraestrutura estratégica para o setor elétrico.

O estudo também recomenda a criação de uma instância nacional de coordenação entre governos, órgãos reguladores e iniciativa privada. O objetivo seria reduzir conflitos de competências, acelerar projetos e oferecer maior segurança aos investidores em um mercado impulsionado pela expansão da inteligência artificial e pela crescente demanda global por capacidade de processamento de dados.

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