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Justiça dos EUA libera retomada de parque eólico offshore em Nova York e impõe nova derrota a Trump
Decisão judicial autoriza continuidade do projeto Sunrise Wind, da Ørsted, suspenso pelo governo americano sob alegação de segurança nacional.
Um juiz federal dos Estados Unidos autorizou, nesta segunda-feira (2/1), a retomada das obras do parque eólico offshore Sunrise Wind, desenvolvido pela empresa dinamarquesa Ørsted, no estado de Nova York. A decisão representa mais uma derrota judicial para o governo do presidente Donald Trump, que havia determinado a suspensão de grandes projetos de energia eólica marítima no país.
A medida foi concedida em caráter de urgência pelo juiz Royce Lambeth, do tribunal federal de Washington, e não analisa o mérito do processo. Ainda assim, já é a quinta decisão semelhante contra a administração Trump desde que, em 22 de dezembro, o governo anunciou a interrupção temporária de todas as grandes obras de energia eólica offshore nos Estados Unidos.
magistrado analisou o recurso apresentado pela Ørsted em 9 de janeiro, contestando a suspensão do projeto Sunrise Wind. O mesmo juiz já havia autorizado, em 12 de janeiro, a continuidade de outro empreendimento da empresa, o parque eólico Revolution Wind.
Em comunicado oficial, a Ørsted celebrou a decisão e afirmou que pretende retomar as obras o mais rápido possível, priorizando a segurança dos trabalhadores. Segundo a empresa, o objetivo é garantir o fornecimento de energia limpa, confiável e a preços competitivos para o estado de Nova York.
Com cerca de 45% das obras concluídas, o Sunrise Wind tem previsão de iniciar a geração de energia em outubro de 2026. O projeto deverá abastecer aproximadamente 600 mil residências a partir de 2027, dentro de um contrato de fornecimento de 25 anos firmado com o governo estadual.
A suspensão determinada em dezembro foi justificada pelo governo Trump com base em supostos “riscos à segurança nacional”. O Departamento de Segurança Interna mencionou relatórios confidenciais, sem divulgar detalhes. Estudos anteriores do Departamento de Energia dos EUA, de 2019, apontam que turbinas eólicas podem causar interferências em sistemas de radar, especialmente os de uso militar.
Defensor declarado dos combustíveis fósseis, Donald Trump é um crítico recorrente da energia eólica. O presidente já classificou o setor como esteticamente desagradável e o descreveu como uma “catástrofe econômica e ambiental”, posicionamento que contrasta com o avanço global das fontes renováveis e com as metas climáticas adotadas por diversos estados americanos.
Com expansão acelerada, energia eólica deve responder por 20% da eletricidade mundial até 2030
Atualmente, a energia eólica é uma das fontes renováveis que mais crescem no mundo. Segundo dados da Global Wind Energy Council (GWEC), a capacidade instalada global ultrapassou 1 terawatt (1.000 GW), com mais de 100 GW de novos parques eólicos adicionados por ano.
A China lidera o ranking mundial, seguida por Estados Unidos, Alemanha, Índia e Espanha. No segmento offshore, a capacidade global já supera 75 GW, com forte expansão na Europa, China e América do Norte.
A expectativa do setor é que a energia eólica responda por cerca de 20% da eletricidade mundial até 2030, consolidando-se como um dos pilares da transição energética global.
No Brasil, a energia eólica segue em ritmo acelerado de expansão e já se consolidou como uma das principais fontes da matriz elétrica nacional. O país soma mais de 30 GW de capacidade eólica instalada, com cerca de 1.000 parques em operação, concentrados principalmente no Nordeste, região que responde por mais de 80% da geração. Segundo a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), a fonte já representa aproximadamente 14% da capacidade instalada de geração de energia do país,

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