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Brasil desigual na era da IA: uso chega a 75% no Sul e apenas 52% no Nordeste
Levantamento do Observatório Febraban mostra diferenças regionais na adoção da tecnologia e revela que entusiasmo e preocupação dividem a percepção dos brasileiros sobre os impactos da IA.
A adoção da inteligência artificial avança no Brasil, mas ainda apresenta diferenças significativas entre regiões, faixas etárias, níveis de escolaridade e renda. Pesquisa do Observatório Febraban mostra que 64% dos brasileiros já utilizaram algum recurso de IA, enquanto 35% afirmam nunca ter usado esse tipo de tecnologia.
O recorte regional evidencia a desigualdade na adoção das novas ferramentas. No Nordeste, 52% dos entrevistados afirmam já ter utilizado recursos de inteligência artificial. No Sul, o percentual sobe para 75%, o maior registrado entre as regiões brasileiras.
A 19ª edição da Pesquisa Observatório Febraban foi realizada pelo Ipespe entre os dias 9 e 20 de junho de 2026, com 3 mil pessoas nas cinco regiões do país. O levantamento analisou o grau de conhecimento e familiaridade dos brasileiros com a inteligência artificial, os padrões de utilização, a confiança nas ferramentas e as expectativas sobre os impactos econômicos e sociais da tecnologia.
Embora 92% da população afirmem já ter ouvido falar em inteligência artificial, o conhecimento efetivo das ferramentas ainda é limitado. Apenas 35% dizem conhecer bem plataformas como ChatGPT, Gemini, Copilot e Claude. Outros 45% conhecem essas tecnologias parcialmente ou apenas de ouvir falar, enquanto 20% afirmam desconhecê-las.
As diferenças ficam ainda mais evidentes quando são considerados idade, escolaridade e renda. O uso da IA chega a 80% entre jovens de 18 a 24 anos e a 79% na faixa entre 25 e 44 anos, mas cai para 45% entre pessoas com 60 anos ou mais.
Por escolaridade, a distância é ainda maior: 42% dos entrevistados com ensino fundamental afirmam utilizar ferramentas de inteligência artificial, percentual que chega a 89% entre aqueles com ensino superior. Por renda, o uso varia de 56% entre quem recebe até dois salários mínimos a 79% entre pessoas com renda superior a cinco salários mínimos.
Entusiasmo e preocupação dividem brasileiros
A expansão da inteligência artificial é acompanhada por sentimentos contraditórios. Para 30% dos entrevistados, a tecnologia provoca simultaneamente entusiasmo e preocupação. Outros 29% manifestam apenas preocupação, enquanto 25% demonstram entusiasmo.
A percepção sobre os impactos futuros também está dividida. Para 35% dos brasileiros, a IA deverá trazer benefícios e prejuízos em proporções semelhantes para a sociedade. Outros 34% acreditam que os benefícios serão maiores, enquanto 17% esperam mais prejuízos do que vantagens.
O mercado de trabalho está entre as principais fontes de apreensão. Segundo o levantamento, 51% dos entrevistados demonstram algum ou muito receio de sofrer perdas profissionais provocadas pelo avanço da inteligência artificial.
Apesar das preocupações, a experiência de quem já utiliza essas tecnologias é majoritariamente positiva. Entre os usuários, 88% classificam a experiência como positiva ou muito positiva. A confiança nas respostas fornecidas pelas ferramentas chega a 82%.
O uso mais frequente é para tirar dúvidas e buscar informações, finalidade mencionada por 62% dos usuários. Em seguida aparecem criação de conteúdos criativos, com 12%, atividades profissionais, com 9%, e estudos, com 8%.
Entre os principais benefícios percebidos estão a economia de tempo, citada por 39% dos entrevistados, e a possibilidade de aprender coisas novas, mencionada por 31%.
Fraudes e eleições estão entre principais preocupações
Os riscos relacionados à segurança digital lideram as preocupações dos brasileiros. Para 84% dos entrevistados, golpes, fraudes e crimes digitais praticados com auxílio da inteligência artificial são preocupantes ou muito preocupantes.
A possibilidade de vídeos e áudios falsos influenciarem eleições preocupa 77% da população. O impacto ambiental provocado pela expansão dos data centers aparece em seguida, mencionado por 58%.
A discussão sobre a necessidade de regulamentação também divide opiniões. Para 36% dos brasileiros, as regras atuais sobre inteligência artificial são frouxas demais. Outros 34% avaliam que a regulamentação está na medida certa, enquanto 12% consideram as regras excessivamente rígidas.
O levantamento mostra ainda que o Marco Legal da Inteligência Artificial permanece distante do cotidiano da maioria da população. Apenas 23% afirmam saber do que se trata, enquanto 24% já ouviram falar, mas desconhecem os detalhes. Metade dos entrevistados diz nunca ter ouvido falar sobre o tema.
Para Antonio Lavareda, presidente do Conselho Científico do Ipespe, os resultados refletem o estágio atual da discussão sobre a tecnologia no país, marcado pelo avanço acelerado do uso da inteligência artificial e, ao mesmo tempo, pelas discussões sobre regulamentação, segurança, proteção de dados e impactos no mercado de trabalho.
A pesquisa mostra, assim, um país cada vez mais familiarizado com a inteligência artificial, mas ainda marcado por fortes diferenças no acesso e no uso da tecnologia. Enquanto três em cada quatro moradores da Região Sul já experimentaram alguma ferramenta de IA, no Nordeste esse percentual pouco supera a metade da população.
CLIQUE AQUI para lêr a íntegra do 19º Levantamento do Observatório Febraban, realizado em parceria entre a Febraban e o IPESPE e que também traz um recorte por regiões do país.

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