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ABGD apresenta estudo à ANEEL sobre impactos da geração distribuída no sistema elétrico
Análise nacional desmonta mitos e aponta benefícios da GD na maioria das redes.
A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) apresentou à Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), na última quinta-feira (5/2), um amplo estudo técnico que avalia os impactos da micro e minigeração distribuída (MMGD) no sistema elétrico brasileiro. O levantamento analisou cerca de 27 mil alimentadores de rede primária e quase 6 milhões de redes secundárias em todo o país, oferecendo um retrato estatisticamente robusto da realidade nacional.
A apresentação foi conduzida pelo conselheiro da ABGD, José Marangon, que destacou a importância de se avaliar o fenômeno da geração distribuída com base em dados consolidados, e não em casos pontuais.
O trabalho foi desenvolvido pela MRST Consultoria e Engenharia, em parceria com especialistas do setor elétrico e pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP). O estudo utilizou o Banco de Dados Georreferenciado da Distribuição (BDGD), da própria ANEEL, e aplicou uma metodologia de agrupamento de redes representativas, capaz de reproduzir estatisticamente o comportamento do sistema elétrico brasileiro.
Segundo a ABGD, essa abordagem evita distorções comuns quando análises se baseiam apenas em situações extremas ou isoladas.
Durante a exposição, Marangon ressaltou que a maioria das redes de distribuição no Brasil apresenta baixa ou média penetração de geração distribuída e muitas sequer contam com MMGD instalada. “Quando a penetração é baixa ou média, a geração próxima à carga traz benefícios claros ao sistema, como a redução de perdas e o adiamento de investimentos em infraestrutura”, afirmou.
De acordo com o estudo, situações críticas ocorrem apenas em cenários de alta penetração, que ainda são pouco frequentes no país. “Hoje, a maior parte das redes não está em alta penetração. Condenar a geração distribuída com base em casos extremos não é estatisticamente razoável”, reforçou Marangon.
O levantamento aponta que apenas cerca de 3% das redes secundárias apresentam alta penetração de GD e, mesmo nessas condições, não foram identificadas violações relevantes de restrições elétricas.
Nos poucos casos em que a rede passa a operar como coletora de geração, situação para a qual não foi originalmente projetada, podem ser necessários investimentos em proteção, controle de tensão e expansão da transformação.
Ainda assim, o estudo destaca que soluções de armazenamento, especialmente com baterias, reduzem significativamente os impactos e agregam benefícios ao sistema elétrico como um todo. “Esses inconvenientes são solucionáveis com investimento, principalmente com baterias, que trazem ganhos sistêmicos relevantes”, explicou.
Outro ponto enfatizado pela ABGD é a necessidade de critérios técnicos mais adequados na regulação. “Inversão de fluxo não é problema por si só. O correto é avaliar tensão, carregamento e qualidade do fornecimento. O tratamento precisa ser local, e não generalizado”, defendeu Marangon.
Além dos impactos nas redes de distribuição, o estudo mostra que a geração distribuída também contribui para o desempenho do sistema elétrico como um todo, ao reduzir fluxos e, quando devidamente controlada, até colaborar com a transmissão.
Para a ABGD, a evolução da geração distribuída está diretamente ligada ao avanço do armazenamento estacionário e ao uso das baterias de veículos elétricos como ativos do sistema. “Estamos vivendo um processo de transformação com baterias e carregamento de veículos elétricos, que tende a resolver muitos desafios operacionais e melhorar o atendimento ao consumidor”, concluiu Marangon.
Sobre a ABGD
A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) é a principal entidade representativa do setor de energias renováveis com foco em geração distribuída no Brasil. Fundada em 2015, a associação reúne toda a cadeia produtiva de equipamentos e serviços do segmento.
A ABGD atua de forma estratégica na defesa dos interesses do setor junto a órgãos reguladores, instituições governamentais e à sociedade civil, promovendo políticas públicas, inovação tecnológica, sustentabilidade ambiental, eficiência energética e a democratização do acesso à energia limpa. A entidade tem papel central no avanço da geração própria de energia e no fortalecimento da transição energética brasileira.

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