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Armazenamento de energia (BESS) se torna aliado estratégico e de negócios para o agro brasileiro

Armazenamento de energia (BESS) se torna aliado estratégico e de negócios para o agro brasileiro

Sistemas de armazenamento em baterias ampliam a autonomia energética no campo e reduzem custos operacionais.

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O avanço das tecnologias de armazenamento de energia em baterias, conhecidas como BESS (Battery Energy Storage Systems), começa a transformar a forma como o agronegócio brasileiro produz, consome e gerencia energia elétrica. Em um setor cada vez mais dependente de eletrificação, automação e previsibilidade operacional, o BESS surge como uma solução estratégica tanto do ponto de vista técnico quanto financeiro.

Na prática, o BESS é um sistema composto por baterias de grande porte capazes de armazenar energia elétrica gerada ao longo do dia, especialmente por usinas solares fotovoltaicas, para uso posterior em horários de pico, à noite ou em momentos de falha no fornecimento da rede elétrica. Esses sistemas podem ser instalados em fazendas, agroindústrias, cooperativas, sistemas de irrigação e unidades de beneficiamento.

O BESS funciona como uma “caixa d’água de energia”. Ele armazena eletricidade quando há excedente de geração, por exemplo, ao meio-dia em uma usina solar no campo, e libera essa energia quando o consumo aumenta ou quando a rede elétrica apresenta instabilidade.

Além disso, os sistemas de armazenamento permitem:

  • Garantir fornecimento contínuo em regiões com rede fraca ou instável;
  • Reduzir o consumo em horários de ponta, quando a tarifa é mais cara;
  • Aumentar o aproveitamento da energia solar gerada na própria propriedade;
  • Fornecer energia de backup para operações críticas.

Por que o BESS é estratégico para o agronegócio

O agronegócio moderno depende cada vez mais de energia elétrica para irrigação, refrigeração, armazenagem de grãos, ordenha mecanizada, climatização de aviários e automação industrial. Em muitas regiões produtoras do país, especialmente no Centro-Oeste, Norte e interior do Nordeste, a infraestrutura elétrica ainda é limitada, sujeita a quedas de tensão e interrupções frequentes.

Nesses contextos, o BESS se torna um ativo estratégico de produção. Ele protege a operação contra apagões, evita perdas de safra e falhas em equipamentos sensíveis, além de permitir maior autonomia energética. Outro ponto relevante é o impacto direto nos custos. Com armazenamento, o produtor pode deslocar o consumo para fora do horário de ponta e reduzir significativamente a conta de energia, aumentando a previsibilidade de custos operacionais.

O BESS se integra de forma direta e complementar às usinas solares fotovoltaicas instaladas em propriedades rurais. Em vez de desperdiçar o excedente de geração solar durante o dia ou injetá-lo na rede em condições desfavoráveis, o produtor pode armazenar essa energia e utilizá-la à noite, na madrugada ou em horários de alta demanda.

Esse modelo aumenta a taxa de autoconsumo da energia solar e melhora o retorno sobre o investimento (ROI) da usina fotovoltaica. Em estados como Mato Grosso e Goiás, onde há forte presença de irrigação pivô-central e agroindústrias, o BESS permite operar sistemas de bombeamento fora do horário de ponta, reduzindo custos e aliviando a rede elétrica local.

No Oeste da Bahia e no Piauí, regiões com expansão acelerada da fronteira agrícola, os sistemas de armazenamento ajudam a compensar limitações da rede e a sustentar o crescimento da produção com maior segurança energética. No Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, onde cooperativas, granjas e indústrias de alimentos operam com processos contínuos, o BESS funciona como uma camada adicional de confiabilidade energética, reduzindo riscos de paradas produtivas.

Para Paulo Baraldi, CEO da ION Energia, “O armazenamento vai ocupar o lugar que o gerador a diesel ocupou por décadas,” destacando o papel das baterias como alternativa mais limpa e econômica para operações agrícolas que ainda dependem de geradores convencionais.

Jorge Berger, diretor comercial da Engemon Energy, ressalta a vantagem operacional do BESS: “Além de cortar custos, o sistema evita o uso de geradores a diesel e contribui para a redução da emissão de CO2.”

E como aponta Filipe Formiga, diretor da Siemens Energy, “O armazenamento ajuda a reduzir o chamado curtailment de energia e contribui para a eficiência energética”, reforçando que grandes consumidores, como o agronegócio, estão no centro dessa transformação".

BESS como ferramenta de negócio, não apenas de infraestrutura

Mais do que uma solução técnica, o armazenamento de energia começa a ser visto como uma ferramenta de negócio no agro. Ao reduzir custos, mitigar riscos operacionais e aumentar a autonomia energética, o BESS impacta diretamente a margem de lucro e a competitividade do produtor.

Em operações de maior porte, os sistemas também podem participar de estratégias de gestão de demanda, arbitragem tarifária e, no futuro, de mercados de serviços ancilares, gerando novas fontes de receita. Além disso, o uso combinado de energia solar e BESS fortalece o posicionamento ESG do agronegócio brasileiro, reduzindo emissões de carbono, aumentando a eficiência energética e alinhando a produção às exigências de mercados internacionais e investidores.

Com a queda progressiva dos custos das baterias, o avanço da regulação e a maior maturidade tecnológica, o BESS tende a se tornar parte integrante da infraestrutura energética do campo brasileiro nos próximos anos.Assim como a energia solar se consolidou como uma solução viável e economicamente atrativa para o agro, o armazenamento de energia segue o mesmo caminho, transformando propriedades rurais em unidades mais resilientes, eficientes e preparadas para os desafios da transição energética.

O BESS deixa de ser apenas uma tecnologia emergente e passa a ocupar um papel central na modernização energética do agronegócio brasileiro, conectando sustentabilidade, eficiência operacional e estratégia de negócios em uma única solução.

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