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Brasil pode dobrar empregos verdes com energia solar até 2030, se o governo não frear o setor

Brasil pode dobrar empregos verdes com energia solar até 2030, se o governo não frear o setor

Setor já ultrapassou 1,6 milhão de empregos gerados e tende a crescer ainda mais com políticas públicas favoráveis e estabilidade no comércio internacional.

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O setor de energia solar no Brasil segue como um dos principais motores de geração de empregos verdes no País, segundo dados da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Desde o início da expansão da fonte em 2012, a energia solar já ultrapassou a marca de 1,6 milhão de empregos diretos e indiretos, gerados em atividades que vão desde a instalação de sistemas até funções administrativas e técnicas no setor fotovoltaico.

De acordo com a ABSOLAR, o crescimento recente foi ainda mais expressivo: entre janeiro de 2024 e janeiro de 2025, aproximadamente 500 mil novos postos de trabalho foram criados no setor, impulsionados tanto pela geração distribuída (em residências, comércios e indústrias) quanto pela geração centralizada. Especialistas projetam que, com um ambiente regulatório estável e políticas públicas de estímulo, o Brasil pode ampliar ainda mais essa contribuição para o mercado de trabalho.

Estimativas apontam que o país pode gerar até 3,5 milhões de empregos ligados à energia solar até 2030, entre diretos e indiretos, quase dobrando os números atuais à medida que a capacidade instalada e a demanda por profissionais qualificados aumentam. “A energia solar é uma das principais fontes de empregos verdes em crescimento no Brasil. Não só criamos oportunidades de trabalho em grande escala, como promovemos desenvolvimento econômico sustentável em todas as regiões do Brasil, desde grandes centros urbanos até áreas rurais”, afirma Rodrigo Sauaia, presidente da ABSOLAR. 

O salto de empregos no setor depende de fatores que vão além do mercado interno. Políticas públicas claras, estabilidade regulatória e incentivos consistentes são apontados por especialistas como fundamentais para manter o ritmo de contratações. Especialistas do setor ouvidos pelo Conecta Energia alertam que restrições ou novas taxas governamentais podem desacelerar o crescimento, reduzindo a atratividade de investimentos, especialmente em um contexto em que a fonte solar ainda depende parcialmente de equipamentos importados como módulos, inversores e estruturas e componentes elétricos.

Da mesma forma, a política comercial internacional exerce forte influência. A China, líder global na fabricação de painéis, inversores e equipamentos fotovoltaicos, tem aumentado tarifas de exportação periodicamente, o que pode elevar custos e impactar investimentos no Brasil e em outros mercados emergentes.

Além de impulsionar o mercado de trabalho, a expansão da energia solar contribui para a diversificação da matriz energética brasileira, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e promovendo uma economia mais sustentável. A fonte solar já representa uma fatia significativa da capacidade instalada de geração elétrica no país, consolidando-se como um pilar estratégico da transição energética nacional.

“A criação de empregos só continuará em ritmo acelerado se houver estabilidade regulatória local e previsibilidade nas relações comerciais internacionais”, destaca um estudo de analistas do setor. Ambos os pilares são vistos como essenciais para que o Brasil alcance todo o potencial de geração de empregos verdes até 2030.

Com investimentos crescentes, políticas públicas de incentivo e uma cadeia produtiva mais robusta, o setor solar tem potencial para continuar gerando empregos em todas as regiões do Brasil, ampliando oportunidades em setores técnicos e de engenharia, além de apoiar a formação de mão de obra especializada necessária para sustentar o ritmo de crescimento.

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