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Claro compra Desktop por R$ 4 bilhões e reforça disputa no mercado de fibra em São Paulo
Operadora desembolsa R$ 2,4 bilhões por 73% da provedora e aposta em convergência para ampliar competitividade.
A Claro fechou a aquisição do controle da Desktop em uma transação que avalia a companhia em R$ 4 bilhões e reforça sua presença no estado de São Paulo, principal mercado de telecomunicações do país. Pelo acordo, a operadora vai desembolsar R$ 2,4 bilhões por 73% das ações da empresa, hoje nas mãos dos fundadores e de uma gestora, o que implica um valor de R$ 20,82 por ação, conforme fato relevante divulgado neste domingo.
O pagamento será feito em dinheiro no fechamento da operação, com ajustes relacionados à dívida líquida da Desktop até a conclusão do negócio. A transação ainda depende de aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Além disso, a Claro deverá realizar uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) pelos 27% restantes das ações em circulação no mercado.
A Desktop vinha sendo alvo de interesse no setor e chegou a negociar uma possível venda para a Telefônica Brasil, dona da marca Vivo, mas as conversas não avançaram. A conclusão do acordo com a Claro ocorre em meio a um movimento mais amplo de consolidação no mercado de banda larga por fibra óptica, pressionado por competição intensa e necessidade de escala.
Controlada pela mexicana América Móvil, do empresário Carlos Slim, a Claro aposta no ganho de densidade em regiões estratégicas para fortalecer sua operação. São Paulo concentra cerca de um terço de sua base de clientes pós-pagos e mais de 40% da base de banda larga, tornando o estado central para sua estratégia. A incorporação da Desktop amplia a capilaridade da rede de fibra e permite maior integração entre os serviços fixos e móveis da companhia.
Mais do que a expansão da infraestrutura, o foco da operação está na convergência de serviços. A combinação entre internet fixa, telefonia móvel e outros produtos tende a reduzir a evasão de clientes, aumentar a retenção e elevar a receita média por usuário. Estimativas indicam sinergias relevantes, com valor presente líquido entre R$ 900 milhões e R$ 1,4 bilhão.
A aquisição também reflete uma mudança de fase no setor de telecomunicações no Brasil. Em um ambiente de crescimento mais moderado e margens pressionadas, as operadoras passam a priorizar eficiência, densidade de rede e retorno sobre capital. A escala, isoladamente, perde importância diante da necessidade de integrar operações, melhorar a experiência do cliente e sustentar ganhos comerciais em mercados altamente competitivos.

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