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Energia mais segura no campo: por que o agronegócio aposta em solar com baterias

Energia mais segura no campo: por que o agronegócio aposta em solar com baterias

Tecnologia garante autonomia energética, reduz custos e protege o campo contra falhas na rede.

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O avanço das mudanças climáticas tem alterado de forma direta a rotina do agronegócio brasileiro. Temporais mais intensos, ventos extremos, ciclones, descargas elétricas e até registros de tornados em regiões agrícolas vêm provocando quedas frequentes de energia, afetando fazendas, linhas de transmissão e subestações em áreas rurais. Diante desse novo cenário, cresce rapidamente a adoção de usinas solares fotovoltaicas combinadas com sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) como solução estratégica para garantir segurança energética no campo.

A integração entre solar + BESS permite que o produtor gere energia durante o dia e armazene o excedente para uso à noite ou em momentos de interrupção da rede elétrica, mantendo a operação da fazenda mesmo durante apagões causados por eventos climáticos extremos. Para atividades altamente dependentes de energia, como pivôs de irrigação, iluminação e climatização em granjas, sistemas de ventilação, ordenha, armazenagem e automação agrícola, essa autonomia se tornou essencial.

Além da confiabilidade, o fator econômico pesa cada vez mais na decisão dos agricultores. O uso do armazenamento reduz a dependência da energia da concessionária nos horários mais caros, diminui drasticamente o uso de geradores a diesel e traz previsibilidade de custos, algo fundamental para o planejamento financeiro da safra. Em muitas propriedades, a economia na conta de luz chega a patamares expressivos, ao mesmo tempo em que aumenta a produtividade e reduz perdas operacionais.

Outro ponto decisivo é a resiliência energética. Com redes de transmissão longas e expostas, comuns em regiões agrícolas, eventos como chuvas intensas, vendavais e quedas de torres deixam áreas inteiras sem energia por horas ou até dias. O BESS funciona como uma espécie de “seguro energético”, mantendo sistemas críticos operando mesmo quando a rede externa falha.

Exemplo no Mato Grosso

No Mato Grosso, estado que concentra algumas das maiores áreas agrícolas do país, o produtor rural Éber Menezes, dono de uma fazenda de soja, milho e criação de aves, decidiu investir em uma usina solar de médio porte integrada a um sistema BESS após enfrentar sucessivos apagões durante períodos de chuva intensa.

Segundo ele, as interrupções afetavam diretamente o funcionamento dos pivôs de irrigação e da iluminação e ventilação dos galpões de galinhas, colocando em risco a produção. “Tivemos situações em que a energia caiu bem no pico da irrigação ou à noite, durante temporais fortes. Com o sistema solar e as baterias, a fazenda continua funcionando mesmo quando a rede cai. Hoje temos segurança, economia e tranquilidade para produzir”, afirma.

Após a implantação do sistema, Éber relata redução superior a 50% nos custos com energia, eliminação quase total do uso de diesel e maior estabilidade operacional, mesmo em períodos de clima severo.

Empresas globais e nacionais fortalecem o ecossistema de BESS no país

No Brasil, diversas empresas já oferecem ou estão expandindo soluções de armazenamento de energia (BESS) integradas a sistemas solares e outras fontes renováveis, acelerando a adoção dessa tecnologia no agronegócio e em outros setores. Entre elas está a Sungrow, que já comercializa sistemas BESS no país e ampliou sua atuação com parcerias para projetos de grande escala voltados à resiliência energética e redução de custos.

Outras empresas presentes no mercado brasileiro incluem a Matrix Energia, com serviços de BESS voltados à eficiência energética e otimização de consumo, a WEG, que fornece soluções completas de armazenamento adaptadas a operações agrícolas, industriais e comerciais, a Brasol, que lançou uma divisão dedicada a sistemas BESS com modelo “BESS as a Service”, e a 2bee, que oferece soluções de armazenamento empresarial com foco em economia e estabilidade energética.

Esses players estão contribuindo para tornar o BESS uma tecnologia cada vez mais acessível e estratégica para fazendas brasileiras que buscam autonomia energética e proteção contra apagões e oscilações da rede.

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