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Energia solar fica até 30% mais cara e mercado deve encolher ainda mais em 2026

Energia solar fica até 30% mais cara e mercado deve encolher ainda mais em 2026

Alta de impostos e encarecimento de equipamentos devem elevar em até 30% o custo de usinas fotovoltaicas e empurrar o setor para um ano pior que 2025.

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O sol continua gratuito. O problema é tudo o que vem antes dele. Equipamentos mais caros, impostos mais altos e incerteza regulatória passam a definir o cenário da energia solar no Brasil, transformando um setor promissor em mais um exemplo de como decisões fiscais podem minar políticas públicas anunciadas como estratégicas.

A estimativa da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) é de que o custo médio de implantação de sistemas solares fotovoltaicos suba cerca de 30% a partir dos próximos meses. O impacto decorre, principalmente, da elevação do imposto de importação sobre inversores e sistemas de armazenamento de energia, além do encarecimento dos painéis solares fabricados na China, principal fornecedora global desses equipamentos.

No Brasil, a política tributária avança sobre itens essenciais à operação das usinas solares. Inversores e baterias passaram a enfrentar alíquotas mais elevadas, em um movimento que contradiz a lógica de incentivo à transição energética. Trata-se de componentes críticos para a eficiência do sistema elétrico, sobretudo em horários de pico de consumo, quando a energia armazenada poderia aliviar a pressão sobre a rede e reduzir custos sistêmicos.

Ao mesmo tempo, o mercado internacional deixou de ser um amortecedor de preços. Na China, o aumento do custo de insumos e o fim de subsídios à exportação encareceram os painéis solares, que já acumulam altas expressivas em relação ao final de 2025. O resultado é uma dupla penalização: o equipamento chega mais caro ao país e ainda sofre uma carga tributária maior ao desembarcar.

O efeito é particularmente grave para a geração distribuída, segmento que sustentou o crescimento da energia solar no Brasil nos últimos anos, especialmente em telhados residenciais, comércios, indústrias e pequenas usinas.

Projetos são adiados, margens desaparecem e empresas começam a encerrar operações. Distribuidoras, integradoras e fornecedores de estruturas metálicas, cabos, inversores e sistemas de fixação relatam fechamento de ciclos e retração do mercado.

A consequência direta é social. O setor solar emprega milhares de trabalhadores em todo o país, entre engenheiros, técnicos, instaladores, vendedores e profissionais de logística. Com menos projetos viáveis, o desemprego tende a crescer justamente em uma área intensiva em mão de obra e alinhada a uma agenda ambiental que o governo diz priorizar.

O quadro se agrava com o avanço progressivo da cobrança pelo uso da rede de distribuição para quem gera a própria energia. O subsídio concedido nos primeiros anos da expansão solar vem sendo desmontado de forma gradual, elevando o custo final para o consumidor e reduzindo a atratividade dos investimentos. A partir dos próximos anos, essa cobrança se aproximará do valor integral pago por quem compra energia das distribuidoras, alterando a lógica econômica que impulsionou o setor.

O paradoxo é evidente. Enquanto o discurso oficial exalta a transição energética, a prática encarece os instrumentos que a tornam possível. A política tarifária, orientada pela urgência fiscal e por um protecionismo de curto prazo, ameaça transformar 2026 em um ano ainda pior que 2025 para a energia solar brasileira.

O risco é perder competitividade, empregos e ritmo de expansão em um setor estratégico, tudo isso em troca de um alívio temporário nas contas públicas. O sol continua abundante. O incentivo, não.

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