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"Quando o vento muda de direção, uns constroem muros, outros constroem moinhos" (Provérbio Chinês)

"Quando o vento muda de direção, uns constroem muros, outros constroem moinhos" (Provérbio Chinês)

por Sérgio Augusto Costa - CEO at VILCO | EMD Brasil | ABHIC

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A história da energia eólica no Brasil começa de forma modesta e experimental, mas com sementes que, décadas depois, transformariam o país em um dos maiores produtores mundiais dessa fonte renovável. O Brasil hoje em 5o lugar em capacidade instalada com ~36,5 GW, atrás do 4o   Índia ~54 GW,  Alemanha ~80 GW,  Estados Unidos ~160 GW e China ~600 GW, conforme dados da ABEEólica - Associação Brasileira de Energia Eólica Onshore e Offshore e Novas Tecnologias , Global Wind Energy Council (GWEC) , World Wind Energy Association e ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica.

 Em 1992, no arquipélago de Fernando de Noronha (Pernambuco), entrou em operação o primeiro aerogerador do Brasil. Foi uma turbina de 225 kW, instalada por uma parceria entre o Centro Brasileiro de Energia Eolica, a Celpe - Grupo Neoenergia e o instituto dinamarquês Nordic Folkecenter for Renewable Energy, com financiamento internacional.

 O salto para escala veio no Sul, especificamente no Rio Grande do Sul. Em 1999, o estado criou o programa Ventos do Sul, com medições sistemáticas de vento, elaboração do primeiro atlas eólico brasileiro e seminários internacionais. Isso atraiu investidores e criou conhecimento local. O marco concreto foi o Complexo Eólico de Osório, com capacidade atual de 317,9 MW, inicialmente com 150 MW (75 aerogeradores de 2 MW cada, modelo E-70 da ENERCON — o mais avançado da época). Foi o maior parque eólico da América Latina por anos e um dos maiores do mundo (6º lugar em 2006), com custo de R$ 670 milhões, e com financiamento de 69% pelo BNDES . Hoje pertence a Statkraft após realizar Aquisição (M&A) do portfólio da Enerfín, subsidiária renovável da espanhola Grupo Elecnor , em maio/2024.

Porém, com a descoberta dos excelentes ventos alísios constantes em muitos sites com velocidades médias acima de 9 m/s, o Nordeste se consolidou como o “motor do setor eólico” do país:

 

 

 

 

 

 

 

 

*Fontes: ABEEólica (Boletins 2010-2025), ANEEL/SIGA e ONS

 Observa-se que o Nordeste sempre dominou: de 85% em 2012 para 93% hoje, com os estados da Bahia + Rio Grande do Norte com 64% da capacidade instalada total do páis.

 O Rio Grande do Sul, com capacidade instalada de ~2,7 GW, com 80 parques eólicos em operação, 5º lugar no ranking nacional, estava estagnado… Até que, em 2023, o Curtailment (corte de energia renovável, Nota [1]) se intensificou como um problema estrutural, em especial no Nordeste.

 Assim, os gaúchos vivem a expectativa de voltar ao protagonismo do setor eólico no país. Pelo menos enquanto não ocorrer solução, mesmo que parcial, para o maior inimigo das Renováveis. Os Desenvolvedores do Rio Grande do Sul estão otimizando os projetos considerando a possibilidade de implantar até ~2,5 GW nos próximos 5 anos:

Nova realidade do Custo de Implantação (CAPEX) de Eólicas, mais competitivo, resultante da forte concorrência devido a entrada dos grandes fabricantes chineses, em especial Goldwind Ming Yang Smart Energy (7º) Envision Energy (8º), SANY Renewable Energy (9º) Windey Energy (12º); concorrendo com as européias, a dinamarquesa Vestas e a alemã Nordex Group (6º); Segundo o ranking da BLACKRIDGE Research & Consulting, o qual destaca os 15 maiores fabricantes de turbinas eólicas do mundo, de acordo com sua capacidade instalada em outubro de 2025. Além do mercado de aerogeradores não poder aguardar as indefinições e o tempo necessário para solucionar o Curtailment no Nordeste.

Características favoráveis dos ventos do Sul: baixa variabilidade de produção mensal (variação de até ~28% entre o mês de máxima produção - Agosto e mínima produção - Fevereiro) e baixa variabilidade de produção horária (variação de até ~20% entre às 21:00 e 13:00 horas); Ideal para Autoprodutores que consumam energia no Sul, e assim com risco nulo de submercado, e/ou Sudeste, com baixo risco de submercado neste caso; Ou mesmo para venda de energia no Mercado Livre via Power Purchase Agreements (PPAs), devido ao momento de disparada de preços da energia (Nota [2] e Nota [3]).

Necessidade de realizar hedge físico para os ativos renováveis em operação que não estejam conseguindo honrar contratos no Mercado Livre, resultante do Curtailment. Principalmente Solares que param de gerar ao final do dia, enquanto Eólica normalmente aumenta a geração à partir das 17:00 horas.

A robusta infraestrutura de conexão elétrica do Sul, com muitas subestações em nível de tensão de 230 kV / 525 kV, com razoável margem de escoamento. E com baixas Tarifas de Uso do Sistema de Transmissão (TUST), da ordem de R$ 4,5 a R$ 6,0 / kW dependendo da região. Enquanto o Nordeste está com capacidade limitada de escoamento, com a maioria das subestações e linhas de transmissão sem margem para escoar novas expansões de Renováveis.

E mesmo que não tenha mais o subsídio de 50% da TUST, os níveis de tarifa de uso da transmissão são competitivas, comparativamente com o Nordeste, que normalmente apresenta TUST > 12 R$ / kW e que necessitam de 50% de desconto para viabilizar o projeto.

O Curtailment é muito baixo no Sul, quase desprezível em certas regiões. E caso aumente, significa que no Nordeste, os níveis de cortes estarão em níveis altíssimos, resultando em uma “quebradeira” sistêmica e generalizada de grandes Geradoras, a maioria multinacionais de diversas regiões do planeta, ou seja, realmente a “vaca terá ido pro brejo”.

 

 

 

 

 

 

*Projeto Complexo Eólico BOJURU (400 MW) - São José do Norte - Rio Grande do Sul - Vista simulação dos aerogeradores implantados - VILCO Energias Renováveis

 O vento mudou de direção, e o Sul com a competência e eficiência características de uma das regiões mais desenvolvidas e com melhor infraestrutura do país, deve capitalizar esse momento fundamental para a retomada da indústria eólica no Brasil.

 

*por Sérgio Augusto Costa - CEO at VILCO | EMD Brasil | ABHIC | Linkedin: https://www.linkedin.com/in/s%C3%A9rgio-augusto-costa-12a18131/

 

Notas:

Nota [1] - Post:Existe uma “Bala de Prata” para o maior inimigo das Renováveis, o Curtailment?

https://www.linkedin.com/posts/s%C3%A9rgio-augusto-costa-12a18131_curtailment-planejamento-renovaerveis-activity-7426564950577537024-ez8V?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAacK3IBgT491gBo9m_A2FonJGfLD1bz2Xg&lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_pulse_read%3BdKeVn0zFTKG7%2BqieYwFJhw%3D%3D

Nota [2] - Post: Fortes SINAIS DE ALERTA

https://www.linkedin.com/posts/s%C3%A9rgio-augusto-costa-12a18131_fortes-sinais-de-alerta-o-genial-activity-7423297193446404096-4RMO/?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAacK3IBgT491gBo9m_A2FonJGfLD1bz2Xg&lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_pulse_read%3BdKeVn0zFTKG7%2BqieYwFJhw%3D%3D

Nota [3] - Post: Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come

https://www.linkedin.com/posts/s%C3%A9rgio-augusto-costa-12a18131_preaexoenergia-mercadolivre-estrataezgias-activity-7423302994231820288-jBzk?utm_source=share&utm_medium=member_desktop&rcm=ACoAAAacK3IBgT491gBo9m_A2FonJGfLD1bz2Xg&lipi=urn%3Ali%3Apage%3Ad_flagship3_pulse_read%3BdKeVn0zFTKG7%2BqieYwFJhw%3D%3D

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