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Quem move as hélices e enfrenta os entraves e falta de infraestrutura do setor eólico brasileiro
Com 1.130 usinas e mais de R$ 77 bilhões previstos até 2034 o setor eólico brasileiro vive entre o apetite dos investidores e os entraves regulatórios.
Embora o Brasil tenha um enorme potencial para geração de energia eólica, especialmente no Nordeste (litoral) e no Rio Grande do Sul (região Sul, litoral e da campanha), muitos desafios persistem na prática e têm comprometido os benefícios dessa fonte limpa.
Ao longo da última década, grandes grupos nacionais e estrangeiros investiram bilhões de reais no setor eólico brasileiro, impulsionando a construção de parques, infraestrutura e cadeias produtivas ligadas ao vento. Projetos como o Parque Eólico Lagoa dos Ventos, da Enel Green Power, receberam cerca de R$ 3 bilhões de investimentos, tornando-se um dos maiores empreendimentos da América Latina no setor.
Empresas como Casa dos Ventos estão programando investimentos da ordem de R$ 5 bilhões em complexos eólicos no Piauí, capazes de abastecer milhões de residências e gerar milhares de empregos durante a construção e operação. Isso se soma a aportes em projetos pelos grupos Omega Energia, Engie Brasil Energia, Neoenergia e EDF Renewables, que atuam em parceria ou individualmente em dezenas de parques eólicos em todo o país. Parcerias estratégicas com players internacionais como TotalEnergies, que se uniu à Casa dos Ventos para desenvolver um portfólio conjunto de mais de 12 GW em energia renovável, também destacam o interesse global no mercado brasileiro.
Além disso, projeções da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam investimentos estimados em cerca de R$ 77,5 bilhões na fonte eólica até 2034, refletindo o potencial de expansão da geração de energia por vento no país. Atualmente o Brasil conta com aproximadamente 1.132 usinas eólicas em operação e cerca de 34,6 GW de capacidade instalada, sendo que mais de 93 % dessa potência está no Nordeste, liderando a geração nacional e integrando gradualmente a matriz elétrica com participação projetada acima de 15 % a 17 % até 2034.
O Nordeste concentra a maior parte da capacidade instalada do país, respondendo por mais de 90% da energia eólica gerada no Brasil. Apesar disso, muita da energia produzida não está sendo plenamente utilizada ou aproveitada de forma eficiente devido à falta de demanda estruturada e desafios na integração ao sistema elétrico. Isso acaba gerando um desequilíbrio no mercado e dificultando a continuidade de investimentos e contratos de longo prazo.
Essa situação tem reflexos concretos: empresas do setor chegaram a suspender operações, reduzir produção e demitir milhares de trabalhadores por falta de novos projetos e demanda para a energia gerada.
No Rio Grande do Sul, que também possui parques eólicos importantes como o Complexo Eólico Campos Neutrais e o Complexo de Osório, a capacidade ainda não está sendo explorada ao máximo, e muitas vezes a infraestrutura de transmissão e regulação atrasa a entrada de novas usinas e a exportação eficiente da energia produzida.
Um dos principais entraves apontados por especialistas é a falta de políticas governamentais claras e apoio regulatório adequado para absorver essa energia no sistema nacional, além de garantir segurança jurídica para investidores. Embora leis recentes tenham sido aprovadas para organizar melhor o setor, muitos defendem que isso acontece apenas agora, de forma tardia.
Outro ponto crítico está na contratação de energia: historicamente, a eólica aproveitou-se de leilões públicos que davam previsibilidade de contratos de longo prazo. Nos últimos anos, com mudanças no preço de referência e no comportamento do mercado livre, houve menos contratos firmados, o que desestimula novos investimentos e reduz o uso da capacidade instalada.
Por fim, sem um planejamento integrado entre governos federal e estaduais — que inclua expansão de linhas de transmissão, leilões regulares, incentivos à integração e aproveitamento eficiente da energia eólica — o Brasil corre o risco de ter um dos maiores potenciais de energia renovável do mundo e, ainda assim, não usufruir plenamente desse recurso.
Principais números do mercado eólico no Brasil
Capacidade Instalada
- O Brasil possui cerca de 33,3 GW de energia eólica instalada (33.346 MW), recorde histórico atualizado em 2025.
- São mais de 1.130 usinas eólicas em operação em todo o país.
Participação na matriz elétrica
- A energia eólica representa uma parte significativa da matriz elétrica brasileira, com projeções de participação acima de 15% a 17% da geração total até 2034.
Distribuição regional
- A Região Nordeste concentra cerca de 93% da capacidade instalada de eólica no país, com destaque para Bahia e Rio Grande do Norte.
- O Sul (especialmente o Rio Grande do Sul) também possui projetos expressivos, como o Parque Eólico de Osório (~318 MW).
Desafios de mercado
- Apesar do potencial, há forte pressão competitiva com a expansão da solar, e houve queda de mais de 30% na instalação de novos parques eólicos em 2024 em comparação com anos anteriores.
- Plantas de pás e turbinas fecharam ou reduziram operações no Brasil devido à menor demanda interna.
Principais empresas e grupos que atuam no setor eólico no Brasil
Desenvolvedores e operadores de usinas
- Casa dos Ventos: Uma das maiores desenvolvedoras de parques eólicos no Brasil, com vários projetos no Nordeste e acordos de longo prazo de fornecimento de energia.
- Enel Green Power: Subsidiária do grupo Enel com projetos eólicos de grande porte, incluindo o Parque Eólico Lagoa dos Ventos, um dos maiores da América do Sul.
- Omega Energia: Empresa brasileira com portfólio de parques eólicos e também projetos solares.
- Engie Brasil Energia: Parte do grupo francês Engie, com atuação relevante em eólica e outras fontes renováveis.
- Neoenergia: Controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, participa de parques eólicos e diversificação de fontes.
- Renova Energia: Desenvolvedora com presença significativa em parques eólicos no País.
Outros players (com participação ou presença no Brasil
- EDF Renewables Brasil: Parte da francesa EDF, com projetos eólicos como o Serra do Seridó.
- EDP Renováveis (EDPR): Subsidiária da portuguesa EDP com geração eólica e presença crescente no mercado brasileiro.
- Nordex Group: Fabricante de aerogeradores europeia presente no mercado brasileiro, fornecendo turbinas e tecnologia para projetos locais.
O Brasil segue entre os principais mercados eólicos do mundo, com forte potencial ainda não totalmente explorado, especialmente em offshore (marítimo), onde existem projetos previstos com potenciais gigantescos, mas ainda sem desenvolvimento comercial efetivo por falta de regulação específica.
Apesar da capacidade instalada crescente, a demanda por novos projetos e contratos firmes tem enfrentado dificuldades, principalmente pelo avanço da energia solar, políticas de contratação e falta de previsibilidade regulatória.

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