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Tarifaço do governo ameaça frear avanço da energia solar no Brasil

Tarifaço do governo ameaça frear avanço da energia solar no Brasil

Alta no imposto de importação deve encarecer inversores, baterias e grandes geradores fotovoltaicos.

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Uma decisão do Governo Federal tomada na quarta-feira (28/1) caiu como uma bomba sobre o setor de energia solar e deve provocar uma nova escalada nos preços de equipamentos fotovoltaicos no país. O realinhamento das alíquotas do imposto de importação atinge diretamente inversores, microinversores, sistemas de armazenamento de energia (BESS) e geradores fotovoltaicos importados com potência acima de 75 kW, ampliando os custos de projetos em um momento já marcado por forte pressão na cadeia global.

O setor vinha enfrentando sucessivos desafios, como a alta no preço das matérias-primas e a retirada de incentivos fiscais pelo governo chinês sobre os módulos fotovoltaicos. Com a nova medida, distribuidores afirmam que o aumento da carga tributária tornará inevitável o repasse ao consumidor final, uma vez que as margens de operação já estão bastante comprimidas. 

A decisão do governo estabelece um novo enquadramento das alíquotas do imposto de importação, concentrando os tributos em três patamares principais: 7,2%, 12,6% e 20%. Produtos com alíquotas inferiores a 7,2% passam a esse nível; aqueles situados entre 7,2% e 12,6% são elevados para 12,6%; e os que estavam abaixo de 20%, mas acima de 12,6%, passam a ser taxados em 20%. Permanecem exceções já aprovadas pelo Gecex para bens de capital e bens de informática e telecomunicações, além de alguns produtos estratégicos voltados a datacenters.

Inicialmente, a proposta previa a elevação para 7%, mas o Comitê Executivo de Gestão optou por fixar a alíquota em 7,2%, de forma a respeitar os parâmetros da Tarifa Externa Comum do Mercosul. Embora o ajuste pareça pequeno do ponto de vista técnico, seus efeitos financeiros são relevantes e devem ser sentidos rapidamente ao longo da cadeia de fornecimento.

Dados do Simulador do Tratamento Tributário e Administrativo das Importações da Receita Federal indicam que as principais classificações de baterias importadas no Brasil pagavam imposto de importação entre 16% e 18%. Com a nova determinação, essas alíquotas passam a atingir 20%, encarecendo soluções de armazenamento que vêm ganhando protagonismo nos projetos solares de maior porte.

Entre os produtos impactados estão os equipamentos de alimentação ininterrupta de energia (UPS ou no-break), classificados no NCM 8504.40.40, que hoje recolhem 16% de imposto de importação; os acumuladores elétricos de íon de lítio, NCM 8507.60.00, com alíquota de 18%; e os acumuladores de chumbo-ácido acima de uma tonelada, NCM 8507.20.90, que pagam 16,2%. Em todos esses casos, a nova regra eleva a tributação para o patamar máximo de 20%.

Para agentes do mercado, o aumento da carga tributária pode comprometer a competitividade da energia solar no Brasil, especialmente em projetos de médio e grande porte que dependem de inversores robustos e sistemas de armazenamento. A avaliação predominante é de que a medida tende a desacelerar investimentos justamente em um momento em que o país busca ampliar sua matriz renovável e fortalecer a segurança energética.

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