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WEG perde tração no fim do ano e acende alerta sobre ritmo de crescimento
Expansão no Nordeste e nova fábrica de baterias contrastam com desaceleração dos resultados no fim de 2025.
A WEG reforçou sua estratégia de longo prazo em soluções para a transição energética ao mesmo tempo em que enfrenta um momento de inflexão em seus resultados financeiros, movimento que começa a alterar a leitura do mercado sobre o ritmo de crescimento da companhia.
Na terça-feira (24/2), a empresa realizou em Recife um evento para apresentar seu portfólio de soluções solares e marcar a inauguração de um novo galpão logístico com estoque local voltado ao atendimento do Nordeste. A estrutura permitirá à WEG armazenar até 50 MW por mês em equipamentos solares, incluindo módulos fotovoltaicos, inversores, inversores híbridos e sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS).
A iniciativa amplia a presença regional da companhia e busca reduzir prazos de entrega em um mercado ainda considerado estratégico, apesar da desaceleração recente dos projetos de geração distribuída e centralizada no país.
No início de fevereiro, a WEG já havia anunciado a construção de uma nova fábrica dedicada à produção de sistemas de armazenamento de energia em baterias em Itajaí. A unidade, descrita pela empresa como a mais moderna do país nesse segmento, é vista internamente como um avanço estratégico para posicionar a companhia em uma das frentes mais promissoras da transição energética.
O projeto conta com financiamento de R$ 280 milhões do programa BNDES Mais Inovação, aprovado no âmbito de uma chamada pública voltada à transformação de minerais estratégicos para descarbonização, realizada em parceria com a Finep.
Balanço acende sinal de alerta
Apesar do discurso de expansão e dos investimentos estruturais, o desempenho financeiro do quarto trimestre de 2025 (o pior trimestre em 10 anos) trouxe uma leitura menos confortável. O lucro líquido recuou 6,3% no período, para R$ 1,58 bilhão, enquanto a receita caiu 5,3%, números que vão além de um tropeço pontual e indicam perda de tração em áreas consideradas estratégicas.
A desaceleração dos projetos de geração solar, somada à ausência de contratos relevantes em geração eólica, expôs o fim de um ciclo excepcional de investimentos em energia renovável. O segmento, que sustentou parte relevante do crescimento recente da companhia, deixou de entregar expansão justamente quando o mercado ainda precifica a WEG como uma história de crescimento estrutural.
Mesmo com a margem Ebitda relativamente estável, em 22,4%, o resultado não foi suficiente para neutralizar a principal mensagem do balanço: a empresa cresceu menos, lucrou menos e passou a depender mais de ganhos de eficiência operacional do que de expansão orgânica. Para investidores, isso altera o equilíbrio entre expectativa e risco.
Mercado começa a revisar premissas
No curto prazo, analistas tendem a revisar projeções de crescimento de receita e sustentabilidade das margens, sobretudo em um cenário de menor volume de projetos de grande porte. A valorização do real, que reduziu o peso das receitas externas quando convertidas para a moeda brasileira, adiciona um fator extra de incerteza para 2026.
O desempenho mais resiliente dos equipamentos eletroeletrônicos industriais e o crescimento pontual em segmentos como tintas e vernizes ajudam a amortecer a desaceleração, mas não compensam a perda de fôlego da área de geração, transmissão e distribuição de energia, justamente a mais associada à tese de longo prazo da companhia.
Para o mercado acionário, o balanço reforça a percepção de que o múltiplo elevado das ações exige maior cautela. Empresas tratadas como exemplos de “crescimento de alta qualidade” costumam ser menos toleradas quando entregam trimestres abaixo da expectativa, mesmo com resultados anuais positivos.
Ano fecha forte mas trimestre muda o jogo
No acumulado de 2025, a WEG registrou lucro de R$ 6,3 bilhões, alta de 5,5%, e receita recorde de R$ 40,8 bilhões. Isoladamente, os números sustentam uma narrativa sólida. O problema é que o mercado opera olhando para frente, e o quarto trimestre ofereceu uma prévia menos animadora do que vinha sendo desenhada.
A leitura que passa a predominar é a de uma empresa bem gerida, globalizada e financeiramente robusta, mas agora mais exposta ao ciclo econômico e menos blindada do que se supunha. Para as ações, isso significa menos espaço para euforia e maior sensibilidade a qualquer novo sinal de desaceleração nos próximos balanços.

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